quarta-feira, 17 de maio de 2017

Como avaliar a qualidade ambiental de nascentes em áreas urbanas

Inúmeros são os problemas ambientais que o meio ambiente está sujeito nas áreas urbanas, sendo que as mais sensíveis processos ecológicos são atingidos drasticamente, um exemplo são as nascentes d'água. 
Os problemas são de causa antrópica, NÓS MESMOS estamos causando destruição do meio ambiente, e órgãos ambientais vigentes não tem competência para recuperar ou tem, mas não o fazem. Os problemas das nascentes em áreas urbanas são, principalmente, um péssimo planejamento urbano seguido de leis ambientais atrasadas e difusas.
O crescimento dos municípios acelera para o surgimento de áreas "periferia" instaladas em locais inapropriados e irregulares. As atividades industriais também contribuem para degradação das nascentes.
Nesse sentido podemos enumerar elementos que vão favorecer negativamente para a qualidade ambiental, abaixo vemos alguns mais importantes:

 - o lançamento de efluentes domésticos e industriais sem tratamento;
 - residências e empresas de ordem públicas e privadas construídas fora dos limites de proteção estabelecidos por lei; 
 - retirada da cobertura vegetal, como a supressão vegetal e diminuição da mata ciliar;
 - assoreamento; 
 - erosões; 
 - resíduos da criação de animais; 
 - entre inúmeros outros.


Abaixo um modelo, de acordo com Felipe (2009), de alguns dos principais impactos ambientais que lesionam as nascentes em centros urbanos :


IMPACTOS


CONSEQUÊNCIAS GERAIS NO SISTEMA HÍDRICO


CONSEQUÊNCIAS PARA AS NASCENTES


Impermeabilização do Solo.


Aumento da velocidade e da quantidade do escoamento superficial


Descaracterização.
Redução da Vazão;
Desaparecimento;

Resíduos Líquidos e Sólidos (Combustível esgoto e lixões).


Poluição das Águas Subterrâneas.


Redução na qualidade da água.


Retirada de Água Subterrânea.


Rebaixamento do Nível Freático.


Redução da Vazão.
Desaparecimento.



Retirada da Cobertura Vegetal.


Intensificação dos Processos Erosivos, Assoreamento, Inundações.
Diminuição da Retenção da Água.
Aumento da Energia dos Fluxos Superficiais.




Descaracterização.
Redução da Vazão.
Desaparecimento.

Construções.


Drenagem de Nascentes.
Aterramento.

Descaracterização.
Desaparecimento.



Canalizações de Rios.


Aumento da Velocidade e da Energia dos Fluxos.
Alteração no Padrão de Influência/Efluência dos Rios.




Descaracterização.
Redução da Vazão.


Ilha de Calor.


Alteração no Padrão de Chuvas.
Alteração no Padrão de Recarga.



Alteração da Vazão.

Fonte: Adaptado de Felipe, 2009.

 Procedimento de como avaliar a qualidade ambiental de nascentes em áreas urbanas. 

Os parâmetros para análise da qualidade ambiental das nascentes foram baseados na metodologia proposta por Gomes et al (2005) que, através de uma análise sensorial e perceptiva, considera os itens que está no quadro abaixo e cada um desses parâmetros recebe um valor que é transformado em padrão da qualidade, segue quadro:

PARÂMETROS MACROSCÓPICOS PARA ANÁLISE DA QUALIDADE AMBIENTAL DE NASCENTES


Cor da água
(1) Escura
(2) Clara
(3) Transparente
Odor
(1) Cheiro Forte
(2) Cheiro Fraco
(3) Sem Cheiro
Lixo ao redor
(1) Muito
(2) Pouco
(3) Sem Lixo
Materiais Flutuantes
(1) Muito
(2) Pouco
(3) Sem Materiais Flutuantes
Espumas
(1) Muita
(2) Pouca
(3) Sem Espumas
Óleos
(1) Muito
(2) Pouco
(3) Sem Óleos
Esgoto
(1) Doméstico
(2) Fluxo Superficial
(3) Sem Esgoto
Vegetação
(1) Alta Degradação
(2) Baixa Degradação
(3) Preservada
Uso por animais
(1) Presença
(2) Apenas Marcas
(3) Não Detectado
Uso por humanos
(1) Presença
(2) Apenas Marcas
(3) Não Detectado
Proteção do local
(1) Sem proteção
(2) Com Proteção (com acesso)
(3) Com Proteção (sem acesso)
Proximidade com residência ou estabelecimento
(1) Menos de 50 metros
(2) Entre 50 e 100 metros
(3) Acima de 100 metros
Tipo de área de inserção
(1) Ausente
(2) Propriedade Privada
(3) Parques ou Áreas Protegidas
Fonte: Elaborado por BELIZÁRIO, W. 2014. Adaptado de Gomes et al, 2005.



Na metodologia proposta por Gomes et al (2005) as nascentes foram distribuídas em classes de acordo com o grau de preservação, que foi denominado de Índice de Impacto Ambiental em Nascentes. As classes foram divididas em 5, da seguinte maneira: Classe A – ótimo; Classe B – boa; Classe C – razoável; Classe D – ruim; Classe E – péssima. Essas classificações se deram pela somatória dos pontos obtidos através das análises em campo da qualidade das nascentes, conforme pode ser visto abaixo.


CLASSIFICAÇÃO DAS NASCENTES QUANTO À PRESERVAÇÃO E QUALIDADE AMBIENTAL


CLASSES
NÍVEL DA QUALIDADE
PONTUAÇÃO
Classe A
Ótima

37 a 39 pontos
Classe B
Boa

34 a 36 pontos
Classe C
Razoável

31 a 33 pontos
Classe D
Ruim

28 e 30 pontos
Classe E
Péssima

Abaixo de 28 pontos
Fonte: Produzido por BELIZÁRIO, W. 2014. Adaptado de Gomes et AL, 2005.


O texto na integra deste artigo neste link:

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